EU E AS NOVAS TECNOLOGIAS
EU E AS NOVAS TECNOLOGIAS
Quando comecei a trabalhar em Televisão, 1978 – até hoje, uma mídia de muitos desafios – me deparei com uma linguagem baseada na Imagem. Uma das primeiras coisas que aprendi na faculdade foi que “a imagem diz mais que mil palavras”. Na verdade, precisa um bom texto para acompanhar as imagens e um bom áudio para cobrir a matéria. Nem sempre a Imagem sozinha é suficiente. Mas quando ela é impactante, sim, fala mais que mil palavras.
Trabalhar em televisão era um aprendizado diário, pois a evolução tecnológica era rapidamente substituída por outras que surgiam no mercado. E o mercado, periodicamente, despejava novidades dinamizando a competitividade entre as emissoras e fazendo com que os profissionais tivessem que se reciclar para acompanhar as inovações. Quem dominasse melhor as diversas técnicas (vídeo, áudio, texto) mais chances de buscar outros caminhos como, por exemplo, ir para o centro do país (SP e RJ), onde os salários eram e ainda são bem melhores. Nem todo jornalista estava disposto a buscar outros aspectos da notícia, que não fosse aqueles de investigar, checar e redigir. Para ser um jornalista de televisão precisa mais que isso. É saber lidar também com a estética visual.
Quando saíamos em equipe, para uma gravação, contávamos com no mínimo, quatro profissionais: o produtor e/ou + repórter + iluminador + o técnico de som, além é claro do motorista que nos acompanhava e sempre dava uma “mãozinha”. Equipamentos pesados faziam parte da rotina de uma equipe de externa, com fitas de gravação enormes comparadas as que hoje são utilizadas.
Depois de horas de gravação, a etapa seguinte era editarmos o material gravado. Íamos para a ilha de edição, onde o talento de cada um era medido de acordo com a capacidade de colocar no “ar” uma matéria de um, dois três minutos, deixando apenas o estritamente essencial, pois na televisão tudo é rápido, imediato, direto, curto e o mais objetivo possível. É comum as pessoas entrevistadas se queixarem que “cortaram sua fala”, que elas disseram muito mais do que foi mostrado no noticiário… São as mesmas queixas de ontem e de hoje, desde que a televisão existe.
Hoje, vivemos na era digital. São maiores as facilidades para produzir e gerar matérias, o equipamento é muito mais sutil, menos cansativo, mais prático, um número menor de pessoas são acionadas para fazer um trabalho que, antigamente exigia muito esforço físico, inclusive. Enfim, são os avanços tecnológicos que propiciam tantas regalias e vantagens, se comparados aos 30 anos atrás. A maneira de se fazer telejornalismo não mudou, mudou a capacidade de apresentação das notícias. Hoje, a computação gráfica mostra até aquilo que as câmeras não puderam captar. Tudo é feito para facilitar a compreensão dos telespectadores. Se você não entendeu na primeira vez que viu e ouviu não tem como voltar e ver novamente, como o jornal.
A era digital integrada a Internet transformou o mundo e criou um outro tipo de sociedade: a sociedade da CONEXÃO a sociedade de REDE. Estas são as palavras chaves para tudo o que está acontecendo e se desenvolvendo no mundo das Mídias Eletrônicas. Os meios de comunicação produzem e transmitem os acontecimentos de todas as partes do planeta. Não existe amanhã! Aconteceu, em pouco tempo estará na sua tela de TV ou Computador. O que isso significa? Na melhor das hipóteses é que se você está “ligado” tem condições de estar sabendo de tudo e discutir os fatos mais importantes do seu país e do mundo, da sua cidade, do seu estado. Tudo o que lhe afeta, o resto, o filtro pessoal se encarrega de deletar.
Todas essas tecnologias são usadas e aplicadas hoje para conduzir as nossas vidas. Há muito que elas vieram para revolucionar os meios de comunicação e para revolucionar o nosso cotidiano. Quem achar que pode viver sem elas, engana-se, ou então não vive no mesmo mundo que a maioria. Pode até ser uma opção. Respeito. Parte-se do princípio de que cada um sabe o que é melhor para si.
Mesmo com as minhas dificuldades naturais, vou aprendendo cada dia uma coisa nova, seja no computador, seja com o novo celular, seja no uso mais seguro da Internet, enfim, eu tento acompanhar aquilo que faz sentido para mim. Tem vezes, que o simples fato de não estar acostumada com uma tecnologia específica, me deixa relutante no seu uso, nessas horas prefiro chamar o meu filho, que resolve e me salva desse desconforto . Como todo filho, sabe muito mais que os pai, nessas ocasiões.
As pessoas que já passaram dos 50 anos, como eu, podem demorar um pouquinho mais para se familiarizarem com as novidades. Aceitamos e temos consciência que muita coisa mudou e mudou rapidamente. Não tem como preferir aquele tempo da máquina de escrever do que este da digitação, do computador. Fazemos parte de uma geração que assistiu e até participou dessas mudanças de olhos bem abertos, em plena luz do dia. Fomos empurrados e quase obrigados a tomar conhecimento delas para nos atualizarmos profissionalmente, para podermos conversar com nossos filhos, com nossos netos, aqueles que parecem ter nascidos com um computador, um vídeo-game dentro do berço.
Mas não deixa de ser um espanto tudo o que se pode fazer hoje em relação a 30 anos atrás. Hoje, falamos com nosso filho, que mora em Israel, com facilidade e não se paga tão caro, é na hora que queremos, a qualquer instante, esteja ele onde estiver, desde que com o Celular ou conectado à Internet. Bendito celular! Bendita Internet! Enfim, não devemos nos sentir impedidos ou excluídos por não dominarmos tudo o que chega no mercado. Afinal, temos que nos preocupar com muitas outras coisas que fazem parte da nossa existência e do nosso bem estar. Em nossas cabeças há muitas histórias, muitas experiências que fazem parte da nossa contabilidade de ativos e passivos. A curiosidade é que nos move, que nos impele, que nos dá a medida certa para avançar, e isso não depende de idade, pode ser com 20 ou 80 anos.